Terça-feira, 29 de Maio de 2018

3.44

em nada melhoro o espaço que ocupo . para todo o sempre terei de me debruçar sobre mim própria

 

 

o texto apaga-se. a luz apaga-se. nada resta entre a bruma

trouxessem deuses instruções sobre como saltar para fora de mim e encontrar algo onde o coração não grite por libertação

o som ecoou dentro do peito e me disse que nunca nos entenderiamos. é estranho querer contar a história de como isto nunca se desenvolveu visto que para todos os efeitos pertencemos somente ao nada. falta das horas de crença, esperançosa atmosfera alastrada cá dentro, justificadora de todos os abusos de intimidade

se eu ficar aqui

se eu ficar só aqui

posso ser só eu aqui e ainda assim em nenhum espaço posso ser

sempre à espera do que não vem

se do nada eu crio porque é que aqui ainda nada criei? 

e assim eu me encontro feito nada no labirinto desta sede por ser Eu um dia Deus. nunca foquei na saude nem na proeza mas sim no reconhecimento interno de que algo eu fiz correcto, e essa realidade nunca me chegou. foi dificil ignorar que na verdade a falha me faria sempre sombra, e ainda mais levar o peso nos ombros de que isso faria parte de mim durante todas as horas da eternidade futura. assim se torna dificil aceitar que existe algo ainda pelo qual viver perante tanto amor que se tornou indiferente; tantas horas que aos outrora apaixonados agora nada valem. o sufoco de existir no espaço que eu amo fez com que o amor subisse aos ceus num espectaculo desarmonioso de quem agora nada tem. 

o quanto poderiamos ter pertencido ás chamas! e dançado em grandiosos vendavais ;ser ocupados pelo suor um do outro e nos ocuparmos lentamente

o meu processo é lento e fragmentado

nada tem valor não acabar 

somos postos sem trabalho

corpos já só com remendos

desculpem se tudo me parece muito insuficiente

eu nao merecia ser segredo. nao merecia ser segredo

passar todo o tempo preso de mim. e as mãos são o  medo. o mundo estremece fora da janela. o mundo estremece dentro do peito.

a poesia morou na minha casa

fiquei fora da janela

 

 

simbolismo

harmonia

fome


publicado por killua às 23:29
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